sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cuidados com a saúde das crianças nas férias

Julho é o período de férias escolares da criançada e por isso é preciso atenção redobrada. Afinal, com bastante tempo livre, os pequenos estão mais suscetíveis a acidentes domésticos. Com os devidos cuidados, até 90% dos acidentes podem ser evitados.

Os acidentes ou lesões não intencionais representam a principal causa de morte de crianças de até 14 anos no Brasil. Além dos traumas, decorrentes de quedas, o contato com produtos de limpeza e materiais inflamáveis pode ser perigoso nos primeiro anos de vida. Só em 2014, mais de 45 mil crianças foram internadas em decorrência de traumas, envenenamento ou queimaduras. A principal dica é manter estas substâncias fora do alcance das crianças, principalmente os venenos, que devem ser armazenados longe de remédios e alimentos.

Medidas simples do dia a dia podem proteger a criança contra queimaduras. Ao cozinhar, por exemplo, o ideal é manter as crianças em outro cômodo sob o cuidado de outro adulto. Dê sempre preferência às bocas da parte de trás do fogão e mantenha o cabo das panelas direcionados para o centro e não para fora. Existe uma trava para impedir que a criança consiga abrir o gás e a porta do fogão que pode ser utilizada. Fósforos, isqueiros e álcool não devem ficar ao alcance delas.

Viagens
 
Em caso de viagens, é importante estar atento a alguns detalhes. Muitas crianças viajam sozinhas neste período do ano. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, em viagens nacionais, os menores de 12 anos desacompanhados precisam de autorização dos pais ou responsável legal para viajar, não importa o veículo de transporte. Já em viagem internacional, a autorização é necessária até os 18 anos.

A psicóloga Josie Oliveira, pela primeira vez, está vivendo a experiência de ter o filho viajando sozinho. Rafael, de 14 anos, foi para a Espanha em uma viagem escolar. “Eu o orientei bastante antes da viagem e nos falamos todos os dias pela internet. A Espanha especificamente não exige vacinas especiais, mas como viajamos outras vezes, ele está sempre com a vacinação em dia”, conta.

Como algumas regiões exigem vacinas específicas, a carteira de vacinação deve ser atualizada antes do inicio das férias. É importante lembrar que para atingir a proteção necessária, cada vacina tem um período que pode variar entre dez dias e seis semanas. Por isso, é importante que a carteira de vacinação seja verificada com antecedência.

A experiência de Rafael está sendo positiva, mas é claro que a mãe tem suas preocupações. “Não dá para controlar tudo que ele faz, mas tenho notado que ele está inclusive, provando alimentos novos, coisa que ele não faz em casa”, disse Josie.

Antes da viagem, o pai, mãe ou responsável legal deve comparecer ao fórum da Infância e Juventude da região, portando RG, CPF e comprovante de residência, além do documento do menor para redigir a autorização. É aconselhável ir com antecedência, pois cada local um tem um prazo para a entrega do documento. É preciso conferir também se a empresa que fará o transporte exige outro documento específico.

Menores de 12 anos não precisam de autorização para viajar com parentes de até terceiro grau, como avós, bisavós, irmãos, tios ou sobrinhos maiores de 18 anos. O menor precisa estar com um documento como RG ou certidão de nascimento. E o acompanhante deve portar documento original com foto que comprove o parentesco. Adolescentes, de 12 a 18 anos, podem viajar sozinhos em território nacional, apresentando apenas a carteira de identidade.

Confira também nas matérias do Blog da Saúde como prevenir acidentes com crianças:

Fonte: Gabriela Rocha/ Blog da Saúde

Entram em vigor novas regras sobre parto na saúde suplementar



Começam a valer a partir do dia 06/07 as novas regras estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas desnecessárias. Com a entrada em vigor da Resolução Normativa nº 368, as operadoras de planos de saúde, sempre que solicitadas, deverão divulgar os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico. Também serão obrigadas a fornecer o Cartão da Gestante e a Carta de Informação à Gestante, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal, e exigir que os obstetras utilizem o Partograma, documento gráfico onde é registrado tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

“O parto é um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher e de sua família e nós acreditamos que, ao fornecer informações qualificadas à mulher, ao informá-la sobre os riscos que podem ser gerados em decorrência de um procedimento cirúrgico desnecessário, ela estará mais segura na decisão em relação ao seu parto, escolhendo o melhor para sua saúde e a de seu bebê”, afirma o diretor-presidente da ANS, José Carlos de Souza Abrahão. “Essa medida é parte de uma estratégia maior da ANS, que busca incentivar o setor – beneficiárias de planos de saúde, operadoras, hospitais e médicos - a mudar o modelo de assistência ao parto e nascimento, promovendo uma crescente melhoria nos cuidados à gestante e à criança”, completa.
O Partograma passa a ser considerado parte integrante do processo para pagamento do procedimento. Nos casos em que houver justificativa clínica para a não utilização do documento, deverá ser apresentado um relatório médico detalhado. Se a cirurgia for eletiva, o relatório médico deverá vir acompanhado do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pela beneficiária, que substituirá o Partograma no processo de pagamento do procedimento.

Com o Cartão da Gestante, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando ela entrar em trabalho de parto. A Carta de Informação à Gestante contém orientações e informações para ela tenha subsídios para tomar decisões e vivenciar com tranquilidade o parto. E o Partograma é importante para casos em que, por exemplo, haja troca de médicos durante o trabalho de parto. Nele devem constar informações como se a mulher é diabética, tem hipertensão, que remédios está tomando, como estão as contrações, se há sofrimento fetal, se o parto não progride, entre outras.

As informações sobre as taxas de partos devem estar disponíveis no prazo máximo de 15 dias, contados a partir da data de solicitação. As operadoras que deixarem de prestar as informações solicitadas em cumprimento à Resolução Normativa pagarão multa de R$ 25 mil.

“Para ter acesso aos números de partos normais e de cesáreas, a beneficiária deverá solicitar à operadora, através dos canais de comunicação disponibilizados - telefone, e-mail, correspondência ou presencialmente. Os dados devem ser fornecidos por escrito e em linguagem clara”, explica Raquel Lisbôa, gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS.

Campanha Parto é Normal – Para oferecer às beneficiárias de planos de saúde um conjunto completo de informações sobre as novas regras e envolver todo o setor nas ações de incentivo ao parto normal, a ANS também está lançando a campanha “Parto é Normal”. Todas as informações relativas à nova normativa e demais ações implementadas pela Agência, bem como dados importantes que possibilitem à gestante tomar a decisão mais adequada sobre o parto estão sendo disponibilizadas no portal da ANS, em uma área específica dedicada ao tema. Há ainda duas peças gráficas – um folder e um cartaz – que podem ser baixadas do portal, para que operadoras, prestadores e demais interessados em participar das ações ajudem a divulgar a campanha. Acesse a página aqui.

Desde 2004 a ANS vem trabalhando para promover o parto normal e reduzir o número de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar. Entre as ações, se destacam a inclusão, no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, de cobertura obrigatória para parto acompanhado por enfermeira obstétrica e acompanhante (sem custos adicionais) durante pré-parto, parto e pós-parto imediato; e o Projeto Parto Adequado, que visa mudar o modelo de atenção ao parto, baseado nas melhores evidências científicas disponíveis. O projeto é desenvolvido em parceria com o hospital Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), com apoio do Ministério da Saúde.

Riscos associados à cesariana - Atualmente, o percentual de partos cesáreos na saúde suplementar é de 84,6%. A cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: o parto prematuro aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados a prematuridade.

Confira a apresentação com mais informações.
Acesse aqui a Resolução Normativa nº 368.
Tire suas dúvidas no perguntas e respostas.

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Regras para estimular o parto normal entram em vigor

Durante os nove meses de espera, a mãe sonha com o momento da chegada do bebê. Para tornar o momento do parto o mais saudável possível, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI) estão desenvolvendo o Projeto Parto Adequado.
 
Com o apoio do Ministério da Saúde, a iniciativa tem o objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto normal na saúde suplementar. O projeto busca qualificar os serviços de assistência no pré-parto, parto e pós-parto, favorecendo a redução de cesáreas desnecessárias e de possíveis eventos adversos decorrentes de um parto mal-assistido, seja normal ou cesariano, diminuindo, assim, riscos desnecessários para mães e bebês.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dar à luz a um bebê é um ato natural. De acordo com a instituição, se tudo estiver bem com mãe e com a criança, o parto é um processo fisiológico que requer pouca intervenção médica. A cesárea, cirurgia de médio porte, é recomendada em casos de complicações reais para a mulher e para o bebê e necessita, portanto, de indicação médica. Conforme a OMS, o índice aceitável de cesarianas fica em torno de 15%.

Atualmente, no Brasil, o percentual de partos cesáreos chega a 84% na saúde suplementar. A cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.

As operadoras de planos de saúde, sempre que solicitadas, deverão divulgar os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico. Também serão obrigadas a fornecer a Carta de Informação à Gestante e o Cartão da Gestante, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal, e exigir que os obstetras utilizem o Partograma, documento gráfico onde é registrado tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

O Partograma passa a ser considerado parte integrante do processo para pagamento do procedimento. Nos casos em que houver justificativa clínica para a não utilização do documento, deverá ser apresentado um relatório médico detalhado. Se a cirurgia for eletiva, o relatório médico deverá vir acompanhado do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pela gestante, que substituirá o Partograma no processo de pagamento do procedimento.

Com o Cartão da Gestante, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando ela entrar em trabalho de parto. A Carta de Informação à Gestante contém orientações e informações para que ela tenha subsídios para tomar decisões e vivenciar com tranquilidade o parto. E o Partograma é importante para casos em que, por exemplo, haja troca de médicos durante o trabalho de parto. Nele devem constar informações como se a mulher é diabética, tem hipertensão, que remédios está tomando, como estão as contrações, se há sofrimento fetal, se o parto não progride, entre outras.

42 hospitais e maternidades privados de todo o Brasil fizeram inscrição para participar do projeto-piloto. Serão trabalhados três modelos distintos de atendimento à parturiente: o parto realizado por uma equipe de plantonistas, por enfermeiras obstetras e por uma equipe de médicos que se reveza no atendimento à grávida durante o pré-natal. O hospital que participar poderá escolher, entre esses modelos, aquele que melhor se adapta à sua realidade e também propor outras estratégias a serem testadas.

Confira a lista de hospitais participantes do projeto Parto Adequado.
Fonte: Gabriela Rocha/ Blog da Saúde

Unaids destaca avanços do Brasil no controle da aids

15 milhões de pessoas que vivem com o vírus HIV já estão sendo tratadas em todo o mundo. É o que aponta o novo relatório da Unaids, programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids.

O documento mostra que a meta estabelecida pela ONU, Organização das Nações Unidas por meio dos Objetivos do Milênio de reduzir a propagação do HIV no planeta, em até 2015, foi alcançada, conforme destaca o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita.“Nesse relatório de celebração global tem varias citações do Brasil e todas as relações extremamente positivas que mostra o papel que o país teve nesta historia global, desde a implementação dos remédios genéricos que o Brasil provou que os medicamentos podiam ser mais baratos e acessíveis para todos os países pobres do mundo. Até, por exemplo, a licença compulsória do Efavirenz que mudou a história de como se negocia com a indústria farmacêutica, quando o direito do paciente, o direito humano sobrepõe ao direito comercial da empresa de colocar o preço que ela bem entende”.

O diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, destaca ainda que o relatório da Unaids mostra também o avanço do Brasil no controle da transmissão do HIV. “Nós somos um dos países que mais derrubou mortalidade por aids em todo o mundo, nós avançamos muito no controle da transmissão vertical do HIV e nós somos um país que dá um dos maiores acessos ao medicamento antirretroviral em todo o mundo. Por diversos dos indicadores que estão no relatório, o Brasil se coloca em uma posição muito privilegiada de reconhecimento do trabalho, do esforço que vem sendo feito no Brasil”.

 Para saber mais sobre as ações de prevenção e tratamento para pessoas com HIV e aids, acesse a página do departamento DST/Aids e Hepatites Virias do Ministério da Saúde.


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Acesso a serviços de saúde é foco de Pesquisa Nacional de Saúde

O segundo volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013) foi lançado na última terça-feira (2/6), na sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trazendo informações sobre o acesso e utilização dos serviços de saúde, acidentes e violências. O lançamento teve a presença do Ministro da Saúde, Arthur Chioro, além de pesquisadores da Fiocruz e outros colaboradores.

De acordo com o estudo, realizado em parceria com a Fiocruz, 71% dos brasileiros tem os serviços públicos de saúde como referência. São três em cada quatro brasileiros que costumam buscar atendimento médico na rede pública de saúde. Desses, 47,9% buscam a Unidade Básica de Saúde. Sobre as internações, 65,7% das pessoas internadas foram atendidas pelo SUS.

“A pesquisa mostra objetivamente que 95% da população que procura o serviço público de saúde encontra atendimento em sua primeira tentativa, então está sendo garantido acesso”, afirmou Chioro. O Ministro ressaltou que os dados foram coletados antes da implementação do Programa Mais Médicos, e que futuras coletas podem refletir o aumento do acesso às equipes de saúde.

Um dos assuntos principais desse volume da PNS é o acesso e a utilização dos serviços de saúde. Nesse sentido, estimou-se que mais da metade dos entrevistados mora em domicílios cadastrados no Programa Saúde da Família, somando 56,2%. Um terço da população (33,2%) obteve medicamentos no serviço público, sendo 21,9% via Programa Farmácia Popular.

Sobre a saúde bucal, a pesquisa revela que no Brasil a maioria dos atendimentos foram em consultórios ou clínicas particulares, 74,3%. “Esse dado não nos assusta, pois a expansão da oferta de saúde bucal é muito recente no Brasil”, comentou Chioro, que apontou que a assistência odontológica é, para o Ministério, um dos pontos estratégicos.

Acidentes e violência como problema de saúde - Outras informações levantadas pela PNS mostram que no Brasil há grande prevalência de domicílios com animais domésticos, sendo que 44,3% dos entrevistados convivem pelo menos um cão e 17,7% com um ou mais gatos. “É um número importante para políticas de vacinas e zoonoses”, informou Flávia Vinhaes Santos, do IBGE, que apresentou os números da pesquisa.

Dentre os problemas de saúde que motivam ausência no trabalho das pessoas entrevistas, o mais informado foi a gripe ou o resfriado, totalizando 7%. Além disso, 12% da população entrevistada informou ter recebido diagnóstico de dengue no ano da coleta.

Os acidentes de trânsito e a violência também foram um dos aspectos apresentados nesse volume, como fatores que impactam a qualidade de vida da população. Muitos brasileiros ainda não tem o hábito de usar o cinto de segurança no banco de trás dos veículos, 49,8%. O uso é menor nas zonas rurais e nas regiões Norte e Nordeste. Nas áreas rurais, também é alto o índice de pessoas que não usam capacetes ao utilizarem motocicletas, cerca de 20%. A pesquisa mostra que 3,1% dos brasileiros sofreram acidente de trânsito com lesão corporal naquele ano.

Sobre a violência, 3,1% das pessoas sofreu algum tipo de agressão no ano de referência. A proporção foi maior entre homens e jovens, mas entre as mulheres, preocupa que a violência tenha sido provocada por pessoa conhecida (3,1%).

“O uso do cinto de segurança melhora em todas as circunstâncias, mas de modo muito diferenciado pelas regiões. Nós temos estudos que mostram que o uso do cinto no banco da frente reduz em até 45% o risco de morte por acidente e, no banco de trás, em até 75%. Ainda é insuficiente e nós temos uma margem considerável de avanço a partir deste dado que a pesquisa nos trás”, avaliou Chioro

Saúde a partir dos próprios moradores dos domicílios brasileiros - A Pesquisa Nacional de Saúde foi um inquérito domiciliar realizado pelo Ministério da Saúde, IBGE e Fiocruz, que entrevistou uma amostra de 80 mil domicílios de todo o país. Ainda serão disponibilizados outro volume com informações adicionais e o estudo terá periodicidade de cinco em cinco anos. “Foi investigada com profundidade a questão da saúde a partir dos próprios moradores dos domicílios brasileiros e a cada etapa nós estamos aprofundando as questões que a pesquisa levanta”, afirmou Wasmália Bivar, presidente do IBGE.

“A Fiocruz contribuiu na elaboração do projeto, desde o planejamento, com consultas a áreas técnicas do Ministério da Saúde e outros pesquisadores da área acadêmica com expertise em inquéritos, e também na definição da amostragem e do questionário. As próximas etapas deverão ter indicadores e novas análises”, informou a pesquisadora Celia Landman Szwarcwald, que coordenou o estudo no âmbito do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Lis/Icict/Fiocruz).

Fonte: André Bezerra / Ascom Icict

segunda-feira, 13 de abril de 2015

PERFIL DA MORTALIDADE POR CAUSAS EXTERNAS NO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS (MG), 2003 A 2012

As causas externas podem ser classificadas como acidentais (acidentes de trânsito, quedas, etc.) e intencionais (suicídios e homicídios).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), anualmente, as causas externas são responsáveis por mais de cinco milhões de mortes em todo o mundo, representando cerca de 9% da mortalidade mundial (1).
No Brasil, como praticamente em todos os países do mundo, as causas externas destacam-se entre as principais causas de mortalidade e de morbidade, passando a figurar entre as três principais causas de morte na maioria das regiões brasileiras, colocando-se em nosso país como importante problema de saúde pública. Além da elevada freqüência com que ocorrem e de serem a principal causa de mortalidade de adolescentes e adultos jovens brasileiros, deixam milhares de pessoas incapacitadas, provocando ainda uma sobrecarga nos serviços hospitalares, principalmente os de urgência e emergência.
As causas externas representam elevado custo para a sociedade, provocando consideráveis impactos sociais e psicológicos nas vidas dos indivíduos e das famílias.

METODOLOGIA E FONTE DE DADOS

Trata-se de um estudo descritivo dos óbitos por causas externas ocorridos em pessoas residentes no município de Divinópolis – MG entre os anos 2003 a 2012.
O banco de dados utilizado foi o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), composto por informações provenientes das declarações de óbito. Os dados do SIM foram obtidos do DATASUS/Ministério da Saúde. Foram selecionados os óbitos classificados no Capítulo XX da 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), utilizando-se nas análises os óbitos por local de residência em Divinópolis.
Os dados sobre a população foram coletados do DATASUS, cuja fonte de dados é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

OBJETIVO

O objetivo deste estudo é apresentar alguns indicadores da mortalidade por causas externas em Divinópolis (MG) no período de 2003 a 2012, com enfoque em 2012.


RESULTADOS


Analisando o período 2003-2012, verifica-se que os óbitos por causas externas ocuparam o terceiro ou o quarto lugar entre as causas de morte no município, mas sempre em lugar de destaque. No ano de 2012, ocorreram 1.203 óbitos por causas definidas de pessoas residentes em Divinópolis. Destes, 140 foram por causas externas (tabela 1).  
.
Tabela 1: Principais causas de óbitos por grupos da CID-10 - Divinópolis (MG), 2003 a 2012
Capítulo CID-10
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Doenças do ap. circulatório
344
355
389
378
320
360
388
333
336
354
Neoplasias (tumores)
149
163
170
157
158
199
242
221
234
244
Causas externas
94
123
106
100
110
89
118
113
146
140
Doenças do ap. respiratório
121
108
120
119
122
114
133
133
107
120
Doenças endócrinas nutr. e metabólicas
58
59
55
62
63
82
78
89
66
75
Doenças do ap. digestivo
44
56
56
58
75
48
64
76
72
71
Demais causas definidas
153
156
159
158
151
169
143
224
197
199
TOTAL
963
1.020
1.055
1.032
999
1.061
1.166
1.189
1.158
1.203
Fonte: SIM/MS/NEEPI
Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.
  

Analisando especificamente os óbitos por tipos de causas externas observa-se que quatro agravos ocupam lugar de destaque: os homicídios, os acidentes de trânsito, os suicídios e os afogamentos. A taxa de mortalidade por acidentes de trânsito permaneceu destacadamente na liderança das causas no período de 2003 a 2011, sendo ultrapassada em 2012 pelos homicídios (tabela 2). No período analisado, os coeficientes de mortalidade por homicídios cresceram 328%, passando de 4,6 por 100 mil habitantes em 2003 para 19,7 em 2012. Os suicídios tiveram um aumento de 57,7% comparando-se 2003 com 2012.
  
Tabela 2 - Coeficiente de mortalidade (por 100 mil hab.) segundo o tipo de causa externa de residentes em Divinópolis (MG), 2003 a 2012











Causa CID-10
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Homicídios
4,6
9,6
7,8
4,8
9,9
6,1
12,0
8,9
13,9
19,7
Acidentes Trânsito
21,1
24,3
21,5
20,2
19,8
17,3
21,3
22,1
25,6
17,4
Suicídios
5,2
9,1
7,8
9,6
5,2
10,8
7,9
8,5
3,7
8,2
Afogamentos
5,7
4,6
3,4
3,4
4,7
1,9
4,2
1,9
1,4
4,1
Quedas
2,1
4,1
2,9
3,8
2,4
1,9
1,4
3,8
4,2
2,3
Intenção indeterminada
5,2
4,6
1,0
0,5
1,4
0,5
1,9
1,4
9,3
3,7
Outros
3,6
5,1
6,9
5,3
8,5
2,3
6,0
6,6
9,8
8,7
Total
49,5
63,4
52,4
48,6
52
42,7
54,6
53
67,8
64,1
Fonte: SIM/MS/NEEPI
Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.
   
Durante o período de 2006 a 2009 homicídios e suicídios alternaram-se nas posições de segundo e terceiro lugar das causas externas de morte (gráfico 1).
   
                 Fonte: SIM/MS/NEEPI
                Nota: excluído o grupo de causas mal definidas

Analisando especificamente o ano de 2012, os óbitos por causas externas representaram 11,6% do total de óbitos por causas definidas, ficando as doenças do aparelho circulatório (29,4%) como primeira causa de morte, seguidas das neoplasias (20,3%) (gráfico 2).




                  Fonte: SIM/MS/NEEPI
                  Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.
                                  

Na tabela 3 observa-se que no ano de 2012, na faixa etária dos 5 aos 49 anos, o grupo dos acidentes e violências representou a primeira causa de morte, sendo maiores os percentuais nas faixas etárias de 15 a 19 anos e de 20 a 29 anos, equivalendo a 84,6% e 77,8%, respectivamente..
Tabela 3: Mortalidade Proporcional (%) de residentes em Divinópolis (MG) segundo principais grupos de causas e faixa etária, 2012












Grupo de causas
Faixa etária (anos)


 0-4
 5-9
 10-14
15-19
20-29
30-39
40-49
50-59
60-69
70-79
80 e +
Total

Doenças do ap. circulatório
2,9
0,0
0,0
0,0
0,0
11,9
21,0
26,4
33,7
36,4
37,8
29,4

Neoplasias (tumores)
-
0,0
0,0
0,0
3,7
22,0
21,0
32,7
26,8
23
13,7
20,3

Causas externas
-
50,0
50,0
84,6
77,8
44,1
22,0
5,7
3,9
2,5
4,2
11,6

Doenças do ap. respiratório
-
0,0
0,0
7,7
0,0
1,7
4,0
5,0
7,3
10,9
19,3
10,0

Doenças endócrinas
-
0,0
0,0
0,0
1,9
1,7
2,0
5,7
10,7
8,4
6,0
6,2

Doenças do ap. digestivo
-
0,0
50,0
0,0
7,4
3,4
8,0
10,7
6,3
4,2
4,8
5,9

Demais causas definidas
97,1
50,0
0,0
7,7
9,3
15,3
22,0
13,8
11,2
14,6
14,3
16,5

Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0

Fonte: SIM/MS/NEEPI
Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.


Verificando o percentual dos óbitos segundo o tipo de causa externa vemos que os homicídios apareceram em primeiro lugar com 30,7% das mortes, em seguida vêm acidentes de trânsito (27,1%). Outro dado que nos chama a atenção é o elevado percentual de suicídios com 12,9% das causas externas (gráfico 3).



       Fonte: SIM/MS/NEEPI
       Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.



A distribuição dos óbitos por sexo e tipo de causa externa mostrou que o risco de morrer é 4,8 vezes maior entre os homens em relação às mulheres (108,1/22,3). Este risco é maior quando observadas as mortes por acidentes de trânsito, homicídios e suicídios, sendo que o risco de morte por homicídio entre os homens foi cerca de 21,6 vezes maior (38,5/1,8) em comparação às mulheres (tabela 4).
.
Tabela 4: Número absoluto, freqüência de óbitos e taxa específica de mortalidade (por 100 mil hab.) de residentes em Divinópolis (MG) por causas externas segundo o sexo, 2012












Categoria CID10
Masculino
Feminino
Total
Nº
%
Taxa
Nº
%
Taxa
Nº
%
Taxa
Acidentes de trânsito
34
29,6
32,0
4
16,0
3,6
38
27,1
17,4
Homicídios
41
35,7
38,5
2
8,0
1,8
43
30,7
19,7
Intenção indeterminada
6
5,2
5,6
2
8,0
1,8
8
5,7
3,7
Quedas
3
2,6
2,8
2
8,0
1,8
5
3,6
2,3
Suicídios
13
11,3
12,2
5
20,0
4,5
18
12,9
8,2
Afogamentos
7
6,1
6,6
2
8,0
1,8
9
6,4
4,1
Demais causas
11
9,6
10,3
8
32,0
7,1
19
13,6
8,7
Total
115
100,0
108,1
25
100,0
22,3
140
100,0
64,1
Fonte: SIM/MS/NEEPI
Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.



Com relação à idade (tabela 5) o grupo de 20 a 49 anos foi o que apresentou o maior número absoluto de óbitos por causas externas, representando 64,3% do total. A faixa etária de 20 a 29 anos teve o maior percentual (30,0%) e um coeficiente de 108,7/100.000 hab.
A faixa etária onde se verificou o maior risco de morte por causas externas foi a de 80 anos e mais com um coeficiente de 404,6/100.000 habitantes.  
Tabela 5: Número absoluto, freqüência de óbitos e taxa específica de mortalidade (por 100 mil hab.) por causas externas segundo a faixa etária e sexo, Divinópolis (MG), 2012














Faixa Etária (anos)
Masculino
Feminino
Total
Nº
%
Taxa
Nº
%
Taxa
Nº
%
Taxa
5 a 9
1
0,9
14,8
0
0,0
0,0
1
0,7
7,5
10 a 14
1
0,9
11,9
0
0,0
0,0
1
0,7
6,2
15-19
10
8,7
115,3
1
4,0
11,7
11
7,9
64,0
20-29
38
33,0
195,3
4
16,0
20,9
42
30,0
108,7
30-39
21
18,3
120,4
5
20,0
27,8
26
18,6
73,4
40-49
20
17,4
126,6
2
8,0
11,3
22
15,7
65,6
50-59
8
7,0
64,2
1
4,0
7,3
9
6,4
34,5
60-69
6
5,2
89,6
2
8,0
25,3
8
5,7
54,7
70-79
4
3,5
115,2
2
8,0
43,6
6
4,3
74,5
80 e+
6
5,2
481,5
8
32,0
361,3
14
10,0
404,6
Total
115
100,0
108,1
25
100,0
22,3
140
100,0
64,1
Fonte: SIM/MS/NEEPI

Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.




A distribuição dos óbitos segundo o tipo de causa e a faixa etária (gráfico 4) mostra significativo número de mortes por homicídios no grupo de idade de 15 a 49 anos, concentrando-se na faixa de 20 a 29 anos. O número de óbitos por acidentes de trânsito atinge seu auge na faixa etária de 20 a 39 anos, enquanto a mortalidade por suicídios foi maior na faixa etária de 30 a 49 anos. 
 

Fonte: SIM/MS/NEEPI
Nota: excluído o grupo de causas mal definidas.


DISCUSSÃO

Em Divinópolis (MG), os homicídios, acidentes de trânsito e suicídios representaram as principais causas entre os óbitos por causas externas no período analisado. Alguns estudos relacionam o aumento do número de homicídios ao agravamento das desigualdades sociais, posse ilegal de armas e ao tráfico de drogas (2, 3, 4). O incremento da mortalidade por acidentes de trânsito pode ser explicado pela ampliação da frota de veículos (principalmente motocicletas para uso particular e transporte de passageiros), condições de sinalização e estado de conservação das vias públicas e ainda o descumprimento das Leis de Trânsito (direção sob efeito de álcool, excesso de velocidade, inexperiência e/ou imprudência de motoristas, não uso de equipamentos de segurança) (2,5). Quanto ao suicídio, há fatores fortemente associados a ele como: tentativas anteriores de suicídio, ausência de apoio social, eventos estressantes e características sociodemográficas, tais como desemprego e pobreza (6). Vale ressaltar a divergência de achados na distribuição dos óbitos por homicídios e suicídios quando se compara os dados do município com os do Brasil. Neste, a mortalidade por homicídios é nitidamente superior à referente aos suicídios, mantendo este predomínio ao longo de todo o período analisado, enquanto que no município de Divinópolis, tem-se uma alternância da posição entre essas duas causas. Este padrão de oscilação caracterizado por quedas e elevações das taxas de homicídios e suicídios num intervalo de tempo relativamente curto exigem uma investigação mais detalhada relativa às circunstâncias em que se deram os eventos no município.
O presente estudo traz evidências de que os óbitos por causas externas atingem predominantemente indivíduos jovens do sexo masculino. Em relação à idade, pesquisas apontam que a vulnerabilidade no grupo etário de 20 a 29 anos está relacionada a determinados comportamentos como a busca de emoções, o prazer em experimentar situações de risco, a impulsividade e o abuso de substâncias psicoativas (7).

CONCLUSÃO

Diante dos resultados enfatiza-se que a análise e a divulgação da tendência e magnitude do padrão de mortalidade por causas externas são elementos importantes para a compreensão do problema e o planejamento de políticas públicas que visem à modificação do atual cenário do município, considerando-se que as causas externas podem ser evitadas.
Compreender a distribuição de fenômenos como a violência letal contra adolescentes constitui um grande desafio para a elucidação do problema e para entender padrões e dinâmicas que podem ser fundamentais para o desenvolvimento de ações de prevenção.
Diversos determinantes encontram-se envolvidos no processo de causalidade das mortes por causas externas, o que exige que as medidas de prevenção também estejam voltadas para as causas que as originaram. Para tanto, faz-se necessária a união de todos os setores da sociedade, priorizando um enfoque intersetorial e integral do indivíduo (8).
Um maior aprofundamento do estudo da mortalidade por estas causas faz-se necessário visando à obtenção de um perfil mais completo da situação e, conseqüentemente, informações que permitam conhecer, além das causas dos óbitos de forma mais detalhada, as tendências, os grupos da população mais vulneráveis, sua distribuição espacial bem como apontar determinantes e abordagens preventivas diferenciadas.


 Fonte: NEEPI - Núcleo de Estudos Epidemiológicos - Divinópolis (MG), Março de 201
Secretaria Municipal de Saúde de Divinópolis

Núcleo de Estudos Epidemiológicos (NEEPI):
Ivanete Ferreira (Coordenadora Suplente), Maria das Graças Pequeno, Mirna de Abreu e Silva,                         Osmundo Santana Filho (Coordenador), Tânia Stark de Almeida Delgado.
Rua Minas Gerais, 900 - Centro - CEP: 35.500-007- Fone: (37) 3229-6800
E-mail: neepidiv@gmail.com

  

BIBLIOGRAFIA

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  1. Viana LA, Costa MC, Paim JS, Vieira-da-Silva LM. Social inequalities and the rise in violent deaths in Salvador, Bahia State, Brazil: 2000-2006. Cad. Saúde Publica. 2011; 27(Suppl 2): S298-308.

  1. Duarte EC, Tauil PL, Duarte E, Sousa MC, Monteiro RA. Mortalidade por acidentes de transporte terrestre e homicídios em homens jovens das capitais das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, 1980-2005. Epidemiol. Serv. Saúde. 2008; 17(1): 7-20.

  1. Soares Filho AM, Souza MFM, Carvalho CG, Malta DC, Alencar AP, Silva MMA, et al. Análise da mortalidade por homicídios no Brasil. Epidemiol. Serv. Saúde. 2007; 16(1): 7-18.

  1. Oliveira ZC, Mota ELA, Costa MCN. Evolução dos acidentes de trânsito em um grande centro urbano, 1991-2000. Cad. Saúde Pública. 2008 fev; 24(2): 364-72.

  1. Lovisi GM, Santos AS, Legay L, Abelha L, Valencia E. Análise epidemiológica do suicídio no Brasil entre 1980 e 2006. Rev. Bras. Psiquiatr. 2009; 31(suppl 2): S86-93.

  1. Souza MFM, Malta DC, Conceição GMS, Silva MMA, Carvalho CG, Morais-Neto OL. Análise descritiva e tendência de acidentes de transporte terrestre para políticas sociais no Brasil. Epidemiol. Serv. Saúde, 2007; 16(1); 33-44.


  1. Andrade-relator, Fernanda Catherine Alves de et al. Mortalidade por causas externas: dimensão e distribuição na cidade do Rio de Janeiro. 2007.